MPF e Receita Federal apontam aumento patrimonial expressivo de alvos da Operação C'est Fini

regisfichtner-aeOperação desta quinta prendeu prende ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral e outras quatro pessoas. Nome 'C'est Fini', que em francês significa 'é o fim', é uma alusão ao fim da 'Farra dos Guardanapos'.

Um aumento patrimonial de três presos na Operação C'est Fini, desencadeada nesta quinta-feira (23), foi uma das coisas que mais chamou atenção dos investigadores da Lava Jato. De acordo com a Receita Federal, houve um aumento patrimonial expressivo de Régis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral, Georges Sadala, sócio de uma das empresas que administravam o Rio Poupa Tempo, e de Maciste Granha de Mello Filho, presidente da empresa Construtora Macadame LTDA. Os três e outras duas pessoas foram presas na manhã desta quinta.

A operação foi batizada como C'est Fini, que em francês significa "é o fim", como alusão ao fim da Farra dos Guardanapos, como ficou conhecido um jantar em Paris do qual participaram ex-secretários do Rio, empresários e o ex-governador Sérgio Cabral. Em fotos tiradas durante o jantar, eles usavam guardanapos na cabeça. A ação desta quinta-feira é um desdobramento das investigações da Operação Calicute, desencadeada em novembro do ano passado e que prendeu Sérgio Cabral.

De acordo com a investigação, o empresário Georges Sadala, preso nesta quinta-feira (23) em um prédio de luxo na Avenida Vieira Souto, de frente para o mar de Ipanema, tinha R$ 1,4 milhão em bens em 2007. Em 2016, o valor subiu para R$ 35,6 milhões. Sadala é dono de empresas que prestavam serviços ao governo do estado e, em 9 anos, aumentou o patrimônio em cerca de 30 vezes.

Segundo a ordem de prisão, o empresário Maciste aumentou o patrimônio em 1200%, ou seja, 27 milhões de reais entre 2007 e 2016, época em que fez contratos com o governo do estado e com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O juiz Marcelo Bretas considerou o enriquecimento incomum, principalmente quando resultado de contratos públicos. Maciste é sócio e presidente da empresa Macadame LTDA e teria feito pagamentos aos integrantes da organização criminosa de mais de R$ 550 mil para conseguir contratos de obras.

Foram presos nesta fase:

  • Régis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral
  • Georges Sadala, sócio de uma das empresas que administravam o Rio Poupa Tempo
  • Henrique Alberto Santos Ribeiro, ex-presidente do DER no governo Cabral
  • Maciste Granha de Mello Filho, presidente da empresa Construtora Macadame LTDA
  • Lineu Castilho Marins, indicado, por Henrique Ribeiro, para diversos cargos no DER.

Os mandados são de prisão preventiva, que não tem prazo de liberação. Os agentes também cumprem mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para depor.
Suspeitas

O ex-chefe da Casa Civil é suspeito de receber propina no valor de R$ 1,6 milhão. Os procuradores investigam também um esquema de corrupção no uso de precatórios por empresas que tinham dívidas, tributos e impostos com o governo do estado e também por empresas que tinham interesse em fazer negócios com o governo e que procuravam o escritório de advocacia de Fichtner.


Ele acompanha o ex-governador há muito tempo, desde que Cabral era presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e foi seu suplente no Senado. Segundo a denúncia, o ex-chefe da Casa Civil era responsável por recolher dinheiro de construtoras e empreiteiras para repassar como propina a agentes políticos que integravam a organização criminosa chefiada por Cabral.

A decisão pela prisão do ex-chefe da Casa Civil foi baseada, segundo o MPF, em diversas evidências que ele já tentou impedir as investigações que o indicam como parte atuante do esquema de corrupção que se instalou no Governo do Estado do Rio de Janeiro para obter vantagens pessoais para os integrantes da quadrilha.

“Aliás, segundo o MPF demonstra, Régis já realizou alguns movimentos suspeitos que demonstram a tentativa de impedir as investigações a seu respeito, como o encerramento de conta de email usualmente visto nas mensagens trocadas entre os integrantes das organizações criminosas”, afirma o documento que pede a prisão do ex-secretário.

Régis Fichtner foi citado no depoimento de Luiz Carlos Bezerra, um dos operadores financeiros do esquema criminoso. Bezerra disse aos procuradores da Lava Jato que deu dinheiro para o ex-chefe da Casa Civil. Nas anotações do operador, Fichtner era conhecido como “Alemão” ou “Gaúcho”.

Na agenda de Luiz Carlos Bezerra, operador financeiro do ex-governador Sérgio Cabral, Georges Sadala é chamado de ‘G’, Salada e de Saladino. O empresário era dono da Gelpar, uma das que fez parte do consórcio Agiliza Rio, responsável pela administração das unidades do Rio Poupa Tempo e, segundo o Ministério Público Federal, recebeu de 2009 a 2015 R$ 132 milhões.

O MPF afirma que a Gelpar, recebeu ainda R$ 30 milhões da Junta Comercial do Rio entre 2010 e 2013. Só que os investigadores descobriram que nesse período a Gelpar não tinha funcionários. A suspeita é que a junta comercial foi paga e os serviços não foram prestados.

A investigação também encontrou remessas milionárias para a empresa do próprio Sadala no exterior, e para a empresa de outro empresário investigado na lava Jato: Arthur Soares, o rei Arthur.
Na decisão que determinou a prisão preventiva, o juiz Marcelo Bretas levou em consideração que Georges Sadala planejava se mudar, pois estava fazendo transferências de remessas de dinheiro para o exterior e sua esposa enviou um e-mail pra escola dos filhos pedindo orientações sobre onde as crianças poderiam estudar em Portugal.

No mesmo prédio de Georges Sadala, mora o empresário Alexandre Accioly. Policiais federais apreenderam documentos e computadores do empresário e o intimaram a depor.

Foto: Régis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do governo Sérgio Cabral, chega à sede da PF no Rio após ser preso (Foto: Severino Silva/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

Fonte: G1

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