'Vamos pra debaixo da ponte', diz moradora de terreno em reintegração

Segundo ela, moradores só souberam nesta semana que teriam que sair.
Carros foram incendiados durante a madrugada em Cidade Tiradentes.

ponteA dona de casa Juliana de Oliveira Alagoas, de 26 anos, era uma das moradoras do terreno da CDHU onde a Justiça realiza uma reintegração de posse na manhã desta quinta-feira (27) em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. Ela mora com dois filhos e o marido, que trabalha como pedreiro.

Após morar por nove anos no local, ela terá que deixar sua casa e não sabe qual será o seu destino. "Eu não tenho pra onde ir. A gente precisa de uma bolsa aluguel, as pessoas vão pra debaixo da ponte", lamentou aos prantos.

Ela conta que seus móveis estão na rua debaixo de chuva esperando o caminhão transportar. Eles serão levados para o depósito da CDHU. Segundo ela, os moradores souberam apenas nesta semana que teriam que deixar o terreno.

Durante a noite de quarta e madrugada desta quinta, os moradores incendiaram dez carros e um ônibus na via. Para a aproximação dos bombeiros, a PM jogou bombas de efeito moral para afastar os manifestantes e apagar o fogo.

Apesar de relatos de moradores de que as bombas de gás teriam entrado em um prédio do CDHU perto do terreno e deixado alguns moradores feridos, a PM nega que a ação tenha ferido alguém.

Ao todo, 180 policiais trabalham na área. No entanto, a imprensa não teve acesso ao terreno. Segundo a PM, 75 famílias ocupavam o terreno. A previsão é a de que o trabalho termine no período de 3 horas. A operação conta com três retroescavadeiras, 30 escavadeiras e 90 ajudantes uniformizados para retirar os moveis.

O capitão Ubiratan Meira do 28 Batalhão, comandante da operação da Polícia Militar que acompanha a reintegração, nega que tenha ocorrido confronto com os manifestantes.

"A operação propriamente dita começou às 6h. Antes disso, havia policiais militares e equipes da Força Tática pra fazer a segurança do local. Até o momento, que tenha chegado ao meu conhecimento, não houve confronto", afirmou o comandante da PM. "A Força Tática atuou sem utilização de nenhuma força, só na conversa e eles acabaram desobstruindo as vias", disse. Segundo o capitão Meira, por volta das 10h, a reintegração seguia pacífica.

Protesto

Por volta das 22h de quarta-feira, os manifestantes atearam fogo e bloquearam ruas, alguns carros foram virados na via impedindo a aproximação dos policiais. Foram usadas bombas de efeito moral e moradores foram atingidos.

Vários telespectadores enviaram vídeos pelo aplicativo de mensagens de celular WhatsApp. Na estrada do Iguatemi, uma telespectadora gravou moradores saindo com móveis, enquanto carros pegavam fogo e outra mostrou a Estrada do Iguatemi fechada e a aproximação da polícia.

De acordo com os manifestantes, cerca de 500 famílias residem no local há mais de 15 anos. Em nota, a CDHU (Companhia de Desenvolvimento habitacional e Urbano do Estado) disse que a área da reintegração de 28 mil metros quadrados está ocupada irregularmente por cerca de 75 famílias e que esse terreno é para moradia de interesse social para famílias anteriormente cadastradas.

A CDHU disse ainda que também está disponibilizando um galpão de depósito para guardar os pertences dos moradores.

Fonte: G1

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